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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Alain Corbel no jornal PÚBLICO: Ilustrar não é só desenhar



O ilustrador Alain Corbel, que dinamizou os ateliês criativos de ilustração no âmbito do projecto "Meninos de Rua: inclusão e inserção", esta semana em entrevista ao jornal português PÚBLICO.

Alain Corbel fala da sua vida, da paixão pela ilustração e por África e dos ateliês que resultaram na publicação do VOZES DE NÓS, em dois volumes:
Experiências que o levaram a Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Moçambique, Angola e também Timor-Leste. E é com entusiasmo que as recorda: “O que fiz foi entrevistar jovens, não sobre o quotidiano deles, como em de Notícias do Quelele, Bairro de Bissau, mas sobre a sua experiência de vida. Todos tinham problemas, digamos assim. Fui sabendo o que lhes tinha acontecido e depois, com grupos mais ou menos grandes, fazíamos desenhos.”
Quando fala em “problemas”, está a referir-se a casos de “jovens que vivem num orfanato em São Tomé e Príncipe, meninos que moram em bairros populares em Maputo, jovens assassinos de Timor-Leste”. Alain Corbel convidou-os a contar as suas histórias e a ilustrá-las, com diferentes técnicas: “Trabalhei muito com material tridimensional porque me dava jeito. Viajar com material é muito difícil. Então, [basta] ter uma máquina fotográfica e poder trabalhar na Guiné, São Tomé… ali há montes de material no chão: plantas, flores.”

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

VOZES DE NÓS segundo Alain Corbel


As crianças adoram desenhar. É um acto criativo necessário, mas também terapêutico. Desenhar é apelar à poesia onde já não há esperança. Muitos de nós gostamos de desenhar. Mas quantos de nós desenhamos? Basta um olho sarcástico para aniquilar todos os nossos esforços. Um pouco mais de atenção e de perseverança, e alguém poderia ser feliz.  Crianças são continentes. Continentes na escala de uma semente. É preciso tempo e cuidado para perceber cada um delas e cabe aos adultos proteger essas sementes.   

Excerto da Introdução do ilustrador Alain Corbel